A pornografia não muda apenas o eixo de percepção nos relacionamentos, fazendo o indivíduo procurar parceria pela cumplicidade sexual estritamente ocasional, tornando-se cego à sua alma e não sendo mais capaz de enxergar a mulher além da satisfação fetichista.

Isto vai além e modifica todo foco da alma, diminuindo a capacidade de amar o próximo: o consumidor de pornografia vive num mundo imaginário que cresce gradualmente até dele tomar conta, do apetite sexual crescente que jamais consuma-se na realidade, preso no mundo masturbatório, estende toda percepção apenas aos seus anseios em tudo, quer apenas satisfazer-se e não vê o semelhante, até o ponto que torna-se mais egoísta que o Smeagol (Gollum) do Senhor dos Anéis: importa-lhe apenas proteger a fonte de seu prazer, o anel que o conduz à perdição.

O masturbador é o próprio Gollum, feliz em seu mundo solitário com um anel que o torna invisível à sociedade: seu segredo numa vida dupla onde devora pornografia aos quilos, toneladas diárias, de tal maneira que quando está fora de seus delírios (patologicamente delírios) sente-se deslocado e foge, até que não consiga mais um único diálogo com uma mulher de verdade sem que gagueje ou trema, é a escultura viva da insegurança que causará sua consequente e inevitável rejeição desde o primeiro contato.

O efeito da pornografia nos relacionamentos é a destruição, inevitável, é uma escravidão sem fim da qual o escravo acredita ser senhor.

Quando tal consumo de atividade sexual imaginária torna-se símbolo inconsciente de seu prazer, a mente começa a fugir sozinha, encontrando abrigo no isolamento do silêncio, criando outra persona, assim sente enorme constrangimento de mostrar-se.

O que me chama atenção é o efeito que pode chegar aos casos psiquiátricos, causando neuroses de diversas naturezas.

Provavelmente a difusão da pornografia ilimitada internet afora desde o advento tecnológico seja um dos sinais dos tempos bíblicos que diz: “o amor de muitos se esfriará“.

Se o sujeito aprendeu durante muito tempo a ver exclusivamente a si próprio e ser a fonte de seu próprio prazer, o próximo evidentemente não tem lugar em sua vida senão nos momentos de satisfação sexual.

Pode a mulher chorar de dor, os filhos irem mal, os pais morrerem, seus animais de estimação adoecerem, nada lhe desperta a empatia: beira a psicopatia.

O curioso é: por que ninguém fala sobre isto?

Até o presente os únicos que vi tratando deste assunto foram o Padre Paulo Ricardo, o ator Terry Crews e o site Your Brain On Porn, que trata do assunto com aspecto científico.

Terry Crews fala sobre pornografia e seus efeitos

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