Conforme vos prometi semana passada, prossigo soltando as análises de conjuntura. Espero manter este ritmo e publicá-las sempre nas quartas.

Vamos aos fatos.

O que ocorreu desde a última análise de conjuntura?

  1. Raquel Dodge, procuradora-geral da República, apresentou ao STF uma denúncia contra Bolsonaro por uma declaração feita em 2017.
  2. Eduardo Bolsonaro também entrou na dança e sofreu acusação por ameaça.
  3. Militantes da esquerda agrediram apoiadores do Bolsonaro com violência física.
  4. Gleisi Hoffmann teve seus bens bloqueados na justiça.
  5. Ciro Gomes agrediu youtuber.
  6. Mudanças na estrutura do estado com relação as polícias.
  7. Houve o Fórum da Liberdade e Bolsonaro não participou.
  8. Mudanças na equipe ministerial de Temer.
  9. Alckmin manobrou para não ser pego pela Lava Jato.
  10. PT, PMDB e PSDB se reuniram em Dubai.
  11. Maria do Rosário apertou a justiça para o andamento de seu processo contra Bolsonaro.
  12. Aécio se tornou réu no STF.
  13. Gleisi Hoffmann conclamou o mundo árabe para intervir por Lula.
  14. Pesquisas colocaram Marina empatada com Bolsonaro e muito superior a Ciro Gomes.

Leitura da conjuntura atual

Os novos fatos merecem apreciações mais fortes, pois o cenário mudou dramaticamente.

Liberais

Se o Partido Novo dispusesse de uma inteligência competitiva, Amoedo já teria feito aliança com Bolsonaro visando um cargo de peso no caso de sua vitória. O mesmo vale para Flávio Rocha.

Os movimentos jurídicos estão a todo vapor: acusações contra família Bolsonaro que sobram até para assessoria dos deputados, Maria do Rosário esforçando-se para que o seu processo seja acelerado, Raquel Dodge dando ouvidos à militância da esquerda e isto é só o começo. Se os liberais não abaixarem a guarda e unirem-se aos conservadores, serão tragados pela esquerda como cigarro nas mãos de viciado.

Amoedo e Rocha são nanicos e sabem disso. Eles podem no máximo contribuir no futuro em algum Ministério, Secretaria, Senado ou Câmara, mas de serem eleitos não tem chance nenhuma. Não é despeito, é falta de capital eleitoral.

A participação deles no Fórum da Liberdade deixou bem claro quais serão suas respectivas utilidades no processo eleitoral: servir de palco para Ciro Gomes, que é muito mais experiente, excelente orador e excepcional articulador de ideias em tempo real. Eu já disse isso no artigo anterior, ao assistir as participações no Fórum apenas confirmei o que já sabia.

Para piorar procede a arrogância comum aos brasileiros de acreditar que porque são empresários ou bem sucedidos em outras carreiras estão prontos para o embate verbal próprio da política. Não estão, perto dos experientes fazem apenas papel de saco de pancadas. O que deveriam fazer? Prepararem-se melhor, informarem-se com dados estatísticos sobre as deficiências do país em infraestrutura, saúde, educação, segurança e saírem da mesmice ululante do discurso liberal padrão de diminuição do estado. Este discurso é refutado pela esquerda experiente sem dificuldades, tanto Marina quanto Ciro nem chegam a transpirar numa questão desta natureza.

Enfim, estes dois estão longe, estão jogando a carreira no lixo e estão conformados com a humilhação antes mesmo dela acontecer.

Conservadores

Esta semana o mundo da política botou Bolsonaro para sambar. Foi uma avalanche de problemas entre calúnias, difamação, perseguição aos seus eleitores, um processo antigo e novas acusações até para sua família.

Primeiro a trapalhã-geral da República, Raquel Dodge o denunciou por uma declaração vazia em 2017 numa palestra. Junto com a denúncia contra Jair veio no mesmo balaio de gato uma contra seu filho, Eduardo.

Eduardo soube se defender muito bem, refutou as acusações e já deixou claro que não passou de um ativismo porco do denunciante. Esta denúncia serviu na verdade para desacreditar a própria esquerda que foi desmoralizada.

Simultaneamente, como se não fosse pouco, Maria do Rosário movimentou os tribunais exigindo aceleração de seu processo contra o capitão para que seu depoimento seja realizado antes das eleições.

Os três fatos acima são de uma única espécie: militância ativista contra a direita.

Isto é inadmissível no judiciário, mas aqui é o Brasil e o vale tudo agora anda de toga.

A esquerda está desesperada com a perda de território gradual a tal ponto que estão agredindo cidadãos com a camisa do Bolsonaro nas ruas com violência verbal e física.

Quanto ao Fórum da Liberdade do qual Bolsonaro esteve ausente houveram dois desdobramentos que merecem toda atenção: primeiro que o evento foi um fiasco de público e audiência, segundo que as participações dos dois liberais serviram para confirmar minhas teses.

Se Bolsonaro chegar à presidência (e espero que sim, que chegue lá) seu próximo desafio será com o funcionalismo público, que estará todo contra ele e sem a musculatura necessária, sem as alianças que servem de apoio, o capitão pode não durar nem mesmo um semestre e ser derrubado facilmente.

Adendo à estas observações, há ainda as movimentações do estado que estão alterando as estruturas de instituições como a polícia militar, o que significa que o próximo presidente encontrará um estado diferente do que é hoje.

Em outras palavras, Bolsonaro (caso eleito) precisará de todo apoio possível para enfrentar o estado por dentro. Uma aliança com Amoedo e Rocha não seria totalmente descartável neste cenário, mas diferente dos liberais ele tem tempo para avaliar até 2019 se vale ou não a pena: para Jair, muita coisa deve mudar no cenário até lá e ele tem consciência disto.

Social democratas

Alckmin e Aécio quebram o pau dentro do PSDB para decidir quem será o candidato. Para mim o candidato óbvio até semana passada era o Chuchu, mas isto mudou completamente.

Alckmin fez uma manobra para sair da Lava Jato e foi pego no pulo pela mídia que não o poupará nas eleições, será alvo fácil e quem lutar contra o tucano terá este argumento irrefutável como arma. Cada enxadada uma minhoca, é bater em cachorro morto.

Aécio se tornou réu, fim de papo. Sua carreira virou pó. Nem é digno mais se gastar tempo pensando sobre este nome. Se possível dividirá uma confortável cela com Lula no Paraná.

Minha aposta agora é que ou o partido tente limpar a barra do ex-governador de São Paulo ou outro nome surja do limbo. Não é mais vantagem apostar em Alckmin que perdeu o colégio eleitoral para Bolsonaro e se complicou com o eleitorado escapando de fininho da justiça. Ou haverá um trabalho de marketing muito bem feito (e ainda inválido) ou será outro nome.

Temer mudou a equipe ministerial, o dream team como alguns chamavam foi substituído por outros 10 duvidosos. É claro que tal feito é preparatório para a corrida e isto por 2 lados: primeiro alguns abandonos de cargo foram estratégicos apostando em 2019, segundo que algumas alianças foram da mesma forma.

O atual presidente deve surgir como raio na véspera das eleições com uma campanha forte e surpreendente, com a queda de Alckmin e a fragilidade tucana, o peemedebista ganha força e muita. A reunião de Dubai contou com membros do PT, PSDB e PMDB, as escuras e com mortadelas e coxinhas sem partido, as forças de Bolsonaro crescem ao passo que o único nome de peso para o confronto seja Temer pelo lado social democrata.

Temer é outro populista, mas um populista elegante e versado, não um bêbado berrando asneiras para burros. O problema de Temer como adversário é que ele é justamente sério e seu populismo vai não na via carismática, mas na via de fato, haja visto a intervenção no RJ.

Comunistas

Se Ciro ganhar, a polícia será unificada em suas mãos, o Brasil se tornará a Venezuela em questão de 2 anos e os liberais vão sofrer mais que cachorro em véspera de banho.

Este seria um momento estratégico para os liberais abrirem os olhos e esquecerem o viés de bastidores, visando inclusive as próprias vidas e carreiras.

Ciro não é Dilma, uma analfabeta confusa e débil mental que não foi capaz de evoluir os planos do Foro de São Paulo. Pelo contrário, se Ciro vencer, José Dirceu será seu copiloto e a vingança pela prisão de Lula e pelo desmonte de seus planos que levaram 40 anos para execução se dará início. Será oficialmente a continuação da era Lula. Ciro é um precipício sem volta.

Acontece que no Fórum da Liberdade, o autofágico Gomes cometeu um erro que lhe custará público. Deu um “pedala Robinho” num youtuber que espalhou pelas redes sociais ter apanhado do Coroné Gomes. Foi desnecessário e para um candidato à presidência o preço é muito alto. Uma grande parcela do público indeciso que poderia num futuro vê-lo como opção no caso do impedimento do Bolsonaro por denúncias, simplesmente foi perdido.

As pesquisas diversas revelaram uma surpresa, a ascensão de Marina. Repentina e imeritória, a saúva é como a Copa do Mundo, aparece a cada 4 anos. Isto se deu pelo desligamento midiático de Ciro dos petistas, sobrou uma parcela para heroína das seringueiras.

A meu ver, o apoio de Lula para Marina é mais fácil que para Ciro e se isto ocorrer ela pode sim estar num segundo turno dividindo o palco com o capitão.

Por outro lado, gradualmente o apoio de Lula vai perdendo força graças às atitudes da Amante da Lava Jato. Gleisi Hoffmann teve primeiro seus bens bloqueados pela justiça, em seguida conseguiu a façanha de afrontar o povo brasileiro pedindo ajuda para o Islã. Veladamente ao terrorismo, pois, o que mais o mundo árabe poderia fazer a respeito de Lula?

Raquel Dodge fez silêncio absoluto, enfiou o rabo entre as pernas e foi para casinha roer o osso, com as orelhas murchas e com medo da sandália petista nas mãos de Hoffmann.

Ainda que com o ativismo no judiciário ficando mais claro a cada dia, a atitude do picadeiro petista foi novamente um tiro no pé e tirou a força dos apoiadores de Lula e dele próprio por tal entendimento. A verdade é que o efeito real de sua declaração destrambelhada, para o povo, foi que a senadora associou a imagem do ex-presidente ao terrorismo: ponto para a direita, gol contra na cara da torcida.

Nanicos e surpresas

Meirelles é ridiculamente ingênuo. Em sua declaração última afirmou que por dentro o PMDB tem preferência por ele. É o filho que acredita quando a mãe lhe diz: “Você é o menino mais bonito do mundo“. Se Temer bater o sapato, o PMDB inteiro sai correndo pra baixo da saia da mãe, inclusive ele: e ele sabe disto.

Aloysio Nunes deixou o governo por denúncias, afirmou que concorreria à presidência e foi fuzilado pela mídia na mesma semana. Foi o boi de piranha da esquerda radical por ter aliado-se ao vice da mulher-sapiens. O ex-motorista de Marighella está mais queimado que militante do MTST.

Boulos prossegue inócuo dando entrevistas que nem seus parentes assistem. O único fato relevante é que, as acusações que faz são todas previamente estudadas: a esquerda está fazendo a lição de casa.

Manuela d’Ávilla tem mais quórum que Boulos, ambos competem milímetro a milímetro pelo posto de nulidade. Não obstante conseguiu cair no ridículo categórico de fazer um tremendo escândalo por causa de um gozador qualquer que a abordou. Em vídeo ela e Lindberg inquerem duramente um coitado trabalhador da segurança, é uma coleção de cagadas eleitorais, é como dizer: “Não quero eleitores!“.

Rodrigo Maia? Continua perseguindo o Seu Madruga pelos míseros 14 meses de aluguel.

Honestamente, tais candidatos não merecem atenção hoje, mas tratando-se de política, tudo pode mudar do dia para a noite.

Para semana próxima devo abordar alguns planos de governo que já estão sendo expostos e com certeza, muita coisa deve acontecer nos próximos 7 dias.

Um abraço e até lá! 😉

Conjuntura atual: PT, PMDB e PSDB encontro em Dubai

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