Uma semana é tempo demais! Desde a última análise de conjuntura na quarta-feira o fogareiro eleitoral se acendeu com força e vontade. Está mais parecendo a Corrida Maluca com clones do Dick Vigarista e apenas um herói, do que uma eleição.

Pela avalanche de dados diários, é possível que eu passe a elaborar as análises duas vezes por semana ao invés de apenas uma as quartas-feiras.

O desespero da esquerda é nítido com aberrações eleitorais como a candidata MC Carol (quem disse que não dava para ficar pior?) pelo PC do B. Não basta ser comunista, tem que ser ridículo também. Apesar do pleonasmo (comunista x ridículo), uma coisa é certa: a esquerda faz a lição de casa e está atenta à cada pequeno movimento, tanto dos bastidores da política quanto das publicações midiáticas. E tem mais: ninguém os subestime, apesar de alguns quase-pop-stars apresentarem-se com absurdos muitas vezes, com destaque para a classe artística, no sub-mundo das “mídias independentes” (aquelas que recebem uma grana dos partidos para apresentarem a notícia publicitária, uma sub-espécie monstrenga do jornalismo que jogou o código de ética no lixo e além de noticiar já trazem prontos os juízos de valor para que o leitor/expectador tão somente concorde e em seguida solte um mugido, no máximo). Alguns destes caras são realmente bons analistas, desonestos, mas enquanto analistas são realmente bons. Eles sabem que esta eleição é um caso praticamente perdido e tentam agora salvar o que podem.

E vamos aos fatos!

Leitura da conjuntura atual

O cenário atual é de puro desespero da esquerda, não um desespero afoito, mas um experiente e acompanhado de uma elaboração digna. Os caras não estão para brincadeira e é bom ficarmos atentos, o clima de “Bolsonaro já ganhou“, não é uma boa estratégia. Os eleitores indecisos podem ser a chave que levará um de seus candidatos ao segundo turno.

Liberais

Amoedo e Flávio Rocha sumiram do mapa, tal sumiço é nitidamente temporário, estão costurando alianças e apoios excessivamente tardios que lhes renderão um algum fôlego inútil nos últimos momentos. Nem vão nadar muito, já sabem que morrer antes da praia são seus respectivos destinos.

A aliança de Rocha com o MDB está feita, mas não acredito que resultará em qualquer coisa além de verba partidária de campanha.

As declarações de Amoedo são depressivas. Negar ser de direita para um povo cansado de gente de esquerda já seria burrice pura e simples, mas não contente ainda atacou Bolsonaro. João parece ter a mentalidade de eleições norte americanas numa disputa entre democratas e republicanos. O candidato do Itaú não sabe muito onde pisa, mas o Novo embora de novidade não traga nada, vem comendo pelas beiradas desde o surgimento, alcançando postos e ocupando espaços. Para esta eleição ele sabe que a resposta é não, para as próximas o cenário deve mudar.

Ambos não se prepararam, acreditaram no discurso liberal da “diminuição do estado“, puro e simples, constrangedoramente sem uma elaboração estatística com dados recentes de infraestrutura, saúde, saneamento básico, educação e segurança, que lhes assegurariam (sem medo de errar) uma fatia do eleitorado indeciso cujos anseios são públicos e notórios, não há segredo: emprego, segurança pública (que está um caos no país inteiro) e transparência política, só isso e mais nada. Era estudar os dados, articular com as intenções e possibilidades das instituições e abraçar um quórum maior.

Flávio Rocha contará com o poder de fogo do MBL (do qual não sou nenhum fã, mas aqui trato de ciência política e não do que eu queira ou goste), que pela primeira vez terá uma participação singular numa disputa presidencial. O que disto resultará só as urnas dirão, lembrando que alguma experiência eles já possuem, Fernando Holiday foi eleito em 2016 com 48.055 votos. A diferença que agora não se trata do colégio eleitoral paulista, mas do país inteiro e isto significa uma complexidade na comunicação que apenas os grandes partidos dispõem: falar com o norte e nordeste não é falar com o sul e sudeste, e isto vale para todas as regiões, são formas de pensar, princípios e valores diferentes, sub-culturas provincianas e regionais. Além do que já mencionei em 2 textos anteriores: Rocha é péssimo orador, o sujeito não tem o dom da palavra.

O cenário dos liberais é apenas um bolo cheio de fermento social democrata no forno, crescendo sorrateiramente.

Conservadores

Jair está surfando nos erros da esquerda e disto não tenho qualquer dúvida. O The Guardian por exemplo citou o candidato comparando-o ao Trump em tom pejorativo, acontece que tal comparação só é pejorativa para a esquerda, pois para o público leigo e para a direita isto é um grande elogio. A esquerda anda comendo alfafa antes de arrotar estas maluquices. Eu inclusive se fosse o Bolsonaro escreveria uma carta agradecendo-os, cinicamente.

Bolsonaro acenou aos investidores esta semana (Marina e Joaquim Barbosa também) demonstrando que pretendem manter as contas em dia e abrir o mercado. Aquela responsabilidade fiscal que Dilma não teve. O apoio do mercado não serve para eleger, mas serve para governar.

Diferente daqueles que acreditam que o Brasil precisa de um presidente conciliador, este é um momento em que o navio da corrupção está com um belo furo no casco no qual se pode ler “Lava Jato“, aberto e enchendo de água, os ratos todos fugindo desesperados e apontando a direção do queijo furtado na esperança de serem esquecidos rapidamente pela memória midiática e voltarem num breve futuro à vida política. Não, não creio que precisemos de conciliadores, mas de um linha dura mesmo.

Falando em linha dura, o General Mourão declarou apoio ao capitão. Isto representa uma considerável parcela do eleitorado, sobretudo o público mais próximo à terceira idade cuja somatória é substancial além de reforçar o caráter de compromisso com a segurança pública. Qual presidenciável não queria o apoio declarado de um general do calibre do Mourão, que carrega tremendo apreço popular? Até o Boulos que é de esquerda queria.

Bolsonaro por outro lado tem uma fragilidade com a qual deveria se preocupar: o funcionalismo público. As alianças dentro do estado são o pior calcanhar de Aquiles que um membro do executivo pode ter. Há tempo para se tomar as providências necessárias, mas não pode ser ignorado, isto não é uma monarquia e sim uma república e Bolsonaro não é rei e sim candidato à presidência.

Uma nova característica, um inegável fator cultural que se integrou na cultura brasileira, é que agora o povo conhece o poder de fogo, o peso das ruas e não tem mais timidez em pedir um impeachment como quem demite um funcionário. Isto é bom, sem dúvidas, mas se o capitão não cuidar do tapete do funcionalismo, poderá ter desagradáveis surpresas pelo lado mais sorrateiro do sindicalismo que dedicou anos na ocupação de espaços. É dormir na selva entre os lobos, nu e cheirando a carne fresca.

Social democratas

Analistas diversos soam uníssonos: a campanha de Alckmin não decola. As razões apresentadas situam-se entre sua participação intensa numa gestão falida da qual tenha sido mero coadjuvante e a fuga da Lava Jato. De qualquer maneira, o Chuchu plantado não foi regado, é um Chuchuzinho pequenininho que não deve resistir à próxima seara. Por trás das cortinas, é ainda cedo para afirmar que o ex-governador está de todo condenado, pois embora seja alvo fácil e óbvio, a verba de campanha que disporá será simplesmente a maior. Geraldinho terá todo tempo do mundo na TV para passar aquele xaveco no povo e tentar convencê-lo de que é a melhor opção.

Não apenas isto.

Parte da mídia estará ao seu lado por sua postura conciliatória e FHC muito provavelmente o apadrinhará, conforme já sinalizou. Fernando Henrique Cardoso ainda obteve curiosamente, uma bela permissão para captar 1 milhão e meio de reais para expor o Plano Real (tá, sei, sei…).

Alckmin é até aqui um zumbi, filmando The Walking Dead fora das câmeras.

Joaquim Barbosa por outro lado começou a crescer e está colando em Marina. Este também sinalizou aos investidores com responsabilidade fiscal e abertura de mercados. O problema do Barbosa segundo a maioria é sua excessiva rispidez, eu por outro lado percebo isto nele como uma vantagem. O país se cansou de sujeitos fala-mansa e o capital eleitoral que os bons de briga terão é inegável. A tensão emocional é forte e pode ser sentida à distância.

Embora Barbosa não tenha o traquejo político, o que neste cenário lhe favorece, também está cometendo erros graves que provavelmente lhe custarão muito alto: seu partido está liderando a tentativa de soltar Lula e embora ele não possa ser responsabilizado diretamente por tal feito, por outro lado também não se pronuncia. Quem cala consente e quem consente vira alvo, este é o mundo cão da política.

É importante lembrar que enquanto na direita Bolsonaro já possui eleitores e pela esquerda Lula será o cabo eleitoral mandatório que direcionará uma importante parcela de votos, tanto Marina quanto Barbosa não possuem este público fidelizado, este é portanto um dado variável e extremamente volátil.

Temer começa a balançar antes de dar seus primeiros passos. Na mira de investigações e já sob denúncias, ele começa a defender-se em rede nacional. De grande surpresa até semana passada pelo populismo militar carioca e os resultados recentes em outras áreas, como um breve aquecimento da economia no mês de março, ele repentinamente adentra o jogo político no estilo tucano: tão fujão quanto, tão pego no pulo quanto. Temer agora terá que rebolar e este não é seu forte.

Comunistas

José Dirceu ofereceu um dado interessante sobre Lula em sua última entrevista. O ex-presidente e atual presidiário será o maior cabo eleitoral da história do país, uma indicação de Lula deve assegurar entre 14% e 18% do eleitorado petista para o candidato que cair nas graças do Ali Babá marxista.

Ciro e Marina disputam corações dos agentes midiáticos com Joaquim Barbosa. A maioria ataca o coroné Gomes, outros atacam o ex-Batman do Supremo. O que diverge para Ciro não é o discurso militante que não consegue sair da bolha ideológica e ver fora, é pelo contrário o temor do mercado. Enquanto Bolsonaro, Marina e Barbosa sinalizaram austeridade fiscal e abertura de mercados, tranquilizando e atraindo investidores, o Sardinha Gomes, os fez surtar de medo, segundo os analistas que acompanho para parcela majoritária dos investidores ele é um perigo iminente. Eu acredito que o candidato esteja se sabotando por algum motivo: perdeu rapidamente a simpatia da esquerda, da direita (ele teve tempo para abandonar o barco socialista e não o fez) e dos indecisos e neutros.

Provavelmente a campanha de Ciro Gomes estanque por aí por uns 2 meses e só volte a reagir depois da Copa do Mundo. Ele tem algum tempo e alianças com a China.

Marina sentiu-se segura para partir para o ataque contra Bolsonaro. Não basta ela parecer-se com Yoda, agora ela também fala como ele, segundo ela Jair é o “lado negro da força“. Prometer austeridade e abertura aos mercados foi uma atitude inteligente que pode atrair inclusive o apoio de Lula e assegurar uma vaga no segundo turno.

Nanicos e surpresas

Rodrigo Maia aparentemente desistiu e continuará na presidência da Câmara.

Boulos adotou o tradicional discurso de marxista ortodoxo e conseguiu afastar parte do eleitorado minúsculo que simpatizava com ele.

Manuela d’Ávilla delirou dizendo que deseja vencer Lula nas urnas. Se por um lado ela foi a única até agora a falar sobre infraestrutura (que para mim é um dos principais problemas do país), por outro, ao pronunciar tal, entendi tratar-se de um stand-up. Poxa, eu achei que ela estivesse falando sério…

Falando em stand-up, o mesmo Meirelles que afirmou ser o preferido do MDB, em menos de 24 horas apareceu chorando com uma afirmação diametralmente oposta: acusa estar sofrendo rejeição e boicote. Eu avisei. Da próxima vez leia meus textos antes de dar declaração seu Meirelles.

Aloysio Nunes está tentando se limpar de seu passado pintado em tons de Marighella e soltou declarações contra o regime de Maduro na Venezuela. Sem chance Nunes, já era, um abraço, você plantou e vai colher.

As reais surpresas foram os candidatos comunicando-se com os investidores mais cedo nesta eleição, a coisa vai ferver.

Minha previsão é que Ciro Gomes deve reagir pela esquerda a tempo de se recuperar. Amoedo e Rocha devem continuar o teatro de que são candidatos. Bolsonaro deve se fortalecer ainda mais pela direita solidificando o que já possui e conquistando parte dos indecisos. Barbosa e Marina podem também se unir e se tornarem um problema substancial.

Contudo, isto é política e em minutos, tudo pode (e deve!) mudar.

Até a próxima!

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