A mulher é o personagem principal da civilização e ponto final. Não, essa não é uma frase do Verissimo, é minha mesmo. O escritor de Porto Alegre que hoje está com 81 anos nos privilegiou com uma coleção de pequenos contos recheados de muito humor. Ao longo de 174 páginas nos diverte com tiradas irônicas e geniais sobre a força motriz que move a humanidade: a mulher.

As curtas estórias do livro contém um elemento psico-social contemporâneo perfeitamente válido do ponto de vista crítico: é engraçado porque, descartados os exageros caricatos é real. Verissimo está falando verdades e de forma bastante pitoresca delineando a alma feminina. Nada de dramas, mas trapalhadas incríveis e reconhecíveis no dia a dia de qualquer um.

As Mentiras que as Mulheres Contam – Luis Fernando VerissimoEu na verdade modifiquei minha visão sobre a alma feminina a partir deste livro. As mentiras que as mulheres contam retrata aquela tensão permanente entre a vontade de fazer o certo e a carga de emoções que as fêmeas de nossa espécie são submetidas por sua própria biologia. É a meu ver uma das melhores obras para se compreender as motivações do incompreensível universo contraditório delas.

Tudo está ali, o que elas querem e o que elas conseguem.

Ideologicamente, Verissimo é aquele tipo de escritor com viés político de esquerda que deve ser profundamente irritante de ser lido pela própria esquerda.

Em “As Mentiras que as Mulheres Contam“, além de engraçadíssimo pela descrição da realidade emocional, também ironiza o movimento feminista, as modalidades de relacionamento aberto, as surpresas LGBT’s de indivíduos que não se assumem homossexuais e levam uma vida dupla em segredo, o tédio oriundo da vida sexual desregrada e se mostra bastante resistente às vertentes atuais da moral frankfurtiana.

Mulheres são os mais adoráveis seres da natureza inteira e este livro entra para minha lista de recomendações: tanto pelo entretenimento quanto pelo aumento da compreensão, vale a pena a leitura.

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