Da última análise de conjuntura até o presente, algumas informações de naturezas diversas surgiram e isto exigiu uma releitura do cenário e seus atores.

E vamos aos fatos!

Leitura da conjuntura atual

As mudanças que se apresentaram foram pouco importantes em sentido de estrutura política, mas muito relevantes no aspecto psico-social que determina os dados qualitativos do capital eleitoral. Em outras palavras, o comportamento e as declarações dos candidatos vão contra ou a favor os anseios da massa? Se por um lado o populismo é justamente soltar o “canto da sereia” e seduzir a maioria com fala mansa que não se pode ser cumprida, por outro lado nuances dentro da lealdade com a linhagem mais ideológica podem ter bons resultados e não ser encarados com malgrados.

E foi justamente o que aconteceu.

Liberais

Amoedo tem procurado separar as suas preferências das posições de seu partido, isto é um passo importante pois a militância e os ativistas dos dois lados, tanto direita quanto esquerda, costumam pensar em bloco e não é assim que a coisa funciona na prática. As posições do candidato podem ser expressas como capitalista na economia e socialista nos costumes (eu me nego a usar o termo “progressista“, pois tal termo é vazio de carga semântica para a maioria e no fundo significa ser esquerdista). Amoedo não tem se saído mal em entrevistas, um bom exemplo foi a entrevista concedida ao Antagonista com o Felipe Moura Brasil.

Flávio Rocha por outro lado não está se saindo bem. A pataquada ao tentar imitar o Bolsonaro no aeroporto ficou muito feia, todos sabem que isto é um engodo. Por outro lado, na entrevista para a TV Folha, apesar da péssima oratória e postura de quem está morrendo de medo, as posições do candidato frente à esquerda foram melhores, bater de frente e afirmar categoricamente que MST e MTST são movimentos terroristas foi uma atitude corajosa do candidato. A Folha quase que deu uma dica durante a entrevista de quais serão seus pontos fracos em termos curriculares, cedo ou tarde, caso cresça e se torne uma ameaça o ligarão à famigerada Igreja Universal e ao Bispo Pedir Mais Cedo. Caso Rocha não se prepare para isto, poderá sim encontrar-se em alguma saia justa publicamente (que já é praxe da esquerda). Na mesma entrevista ele também assumiu posturas mais duras com relação às políticas sociais e ficou mais próximo do público conservador.

Durante a semana uma notícia da Folha demonstrou que o quebra pau interno dos tucanos no PSDB que a cada 2 anos acontece religiosamente conta com um novo elemento: Alckmin estaria monitorando os passos de Rocha sob a suspeita de que o empresário estaria na verdade preparando um retorno de Doria à corrida presidencial. A esta altura eu já não acredito nesta hipótese pois, para Doria é muito mais vantajoso e praticamente garantido a corrida estadual, o tucano do suéter simplesmente não tem concorrentes de peso até o presente.

Conservadores

Um novo Bolsonaro. É isso aí, o homem abriu a boca e mostrou que é muito mais que o autor de expressões como “talquei?!” e “tem que se fudê, cabô porra!“. O fenômeno impressionante aconteceu na entrevista concedida ao Terça Livre que deve ser conferida por todos. O capitão demonstrou ali um domínio muito maior que o esperado de assuntos nos quais geralmente parecia ser ignorante: falou de economia, relações internacionais e políticas sociais, entre outros. Jair será um adversário muito mais difícil nos debates do que até aqui se supunha.

Social Democratas

Joaquim Barbosa traça seu caminho pela esquerda evitando possíveis alianças. O ex-batman do Supremo afirmou que desconfiar das urnas eletrônicas é coisa de maluco, tal afirmação já demonstra que ou há má fé, ou má informação: todos os testes efetuados comprovando a vulnerabilidade dos equipamentos, somados com a apuração secreta dos votos e demais escândalos no Brasil e no exterior envolvendo tais urnas, são dados ignorados pelo ex-ministro. Eu acredito em má fé, pois mal informado é impossível que ele seja, sobretudo tratando-se de um candidato à presidência num cenário tão concorrido quanto o de 2018.

A candidatura de Alckmin não decola e isto é chover no molhado, o Fórum Empresarial meio que perdeu a fé no tucano. Ele por outro lado tem se mostrado mais voltado ao livre mercado e menos às políticas estatizantes. Os veículos de comunicação destacam sempre sua timidez. Para mim isto é apenas balão de ensaio, é jogar o discurso na rede e na mídia para ver o efeito que surge em busca de uma síntese pelo ideal. Seja como for, até o presente nada demais.

Em seu programa Reinaldo Azevedo afirmou que caixa dois não é crime apesar de não ser bonito, advocando a causa do Chuchu, acredito que tais defesas serão necessárias contra a esquerda mais ortodoxa que baterão feio no ex-governador (a do Reinaldo é tiro no pé, a população que viu Lula sendo preso não tem político de estimação e o nome caixa dois não é sinônimo de honestidade).

Eu não sou o único a observar o efeito dos rachas constantes dentro do partido dos social democratas, não só é característica da esquerda heterodoxa desde Lassale como replica-se ininterruptamente. Quem vê isso de outro ângulo mais esperançoso numa possível união é o Arthur Virgílio que vive falando em recomeços e sugeriu a troca do ‘comportadinho e derrotadinho‘ (em suas próprias palavras) pelo Tasso Jereissati que é mais aguerrido. A hipótese não é tão ruim, mas o momento sim. A ave do comunismo azul não sabe escolher os melhores momentos.

Todavia Geraldo deve crescer após a Copa do Mundo, no Painel WW, programa web do William Waack, um dos convidados (Murilo de Aragão) previu tal cenário também. Uma de minhas apostas no momento é num possível segundo turno entre Bolsonaro e ele, pois o tempo de TV deste será muito maior e tempo para planejar de acordo com os cenários ele tem de sobra ainda.

Temer se recolheu e é cedo para dizer o que fará ou não. As denúncias contra ele surgem diuturnamente. O cenário para este candidato é profundamente desfavorável, no entanto é bom lembrar que seu poder de articulação não é algo a se subestimar. De início o considerava para o pleito e isto mudou. Caso tope a parada provavelmente terá muitas dificuldades em agosto com o TSE e sua candidatura poderá ser cassada, ou então, será fuzilado pela militância da própria esquerda que não o poupará. Apesar das muitas dificuldades, a incógnita permanece.

Comunistas

Alguém disse “Lula candidato“? Sim. Disse. O cientista político Rafael Cortez do Infomoney fez considerações importantes: o PT deve perseguir obsessivamente a candidatura Lula, batendo na porta do TSE sem cessar. O Jornal GGN já havia também calculado tal hipótese e com um possível entrevero entre a lei Ficha Limpa e a situação de Lula.

Para o site Estado de Minas, Marina afirmou não ter interesse em apoio de nenhum investigado pela Lava Jato, citou PT, PSDB e MDB. Tal afirmação contém outra: ela rejeitou o apoio de Lula? Querendo ou não, sim ela o fez. Ciro também já o havia feito.

O apoio de Lula representará entre 14% e 18% de um eleitorado à deriva, mas segundo estes candidatos tal moeda de troca não parece interessar muito. Este dado indica que tal faixa do eleitorado deverá procurar novos candidatos e diluir-se entre os demais indecisos. É uma mudança que caso seja mantida altera o cenário completamente.

A seringueira Yoda não cessou os ataques ao Bolsonaro e ainda levantou a lebre que ele pode ter um comportamento ditatorial caso ascenda à presidência. É música para os ouvidos brasileiros: após tanta desordem o povo perdeu a confiança na classe política e sim, deseja alguém que bote ordem no negócio.

Eu digo e repito: posturas conciliadoras agradam os bastiões da etiqueta e do bom comportamento, os samurais do politicamente correto e os descompromissados com a realidade. O povo clama por ordem nas ruas, o termômetro das massas é acessível à qualquer um, basta sair da imbecilização midiática socialista e dar uma volta nas ruas, ouvir o povo.

Ciro Gomes em sua entrevista ao Datena deixou nas entrelinhas o desejo de unificar as polícias, o que se entende por venezuelização. O mercado continua avesso ao coroné e seu discurso permanece confiante. Se por um lado Gomes parece atento aos anseios populares, por outro aparenta estar um tanto perdido. Este vai e vem com as esquerdas não é bem visto por ninguém na conjuntura.

Eu atribuo esta debanda para longe de Lula pelo enfraquecimento do Foro de São Paulo e da UNASUL conforme noticiou o Paulo Eneas do Crítica Nacional.

Lula pediu para receber Ciro na prisão e a justiça não permitiu. Ambos queriam se ver “em nome da amizade de mais de 30 anos, nada de política…“: HAHA! Claro.

Se por um lado o colunista do Infomoney e o Jornal GGN consideraram seriamente uma possível candidatura Lula e o comportamento do PT, por outro lado a Senadora Ana Amélia foi taxativa ao criticar o DataFoice por incluir o ex-presidente em pesquisas de intenção de voto. Por incrível que pareça, todos estão certos. Tanto o analista do Infomoney, a jornalista do Jornal GGN, quanto a senadora. Se por um lado até o presente a candidatura de Lula é uma impossibilidade e invalida tais pesquisas, por outro lado o futuro é de fato incerto no TSE.

Nanicos e surpresas

Aldo Rebelo, comunista da linha chinesa declarou-se favorável ao livre mercado. Oi?! Sim, surpresa! Tal declaração veio acompanhada de mais uma candidatura nanica inesperada à presidência.

Rodrigo Maia praticamente não tem força no DEM, não encontra apoio em outros partidos e muito menos eleitorado.

Aloysio Nunes e Meirelles brincam de candidatura, são piada pronta.

Boulos conseguiu criar o termo “povofobia“, ninguém aguenta mais o politicamente correto e tal expressão é autofágica, e ainda colocou-se contra o MDB.

Sobre Manuela d’Avilla não se tem notícias.

Conclusão

A massa de modelar está em pleno processo de tornar-se algo: um Bolsonaro mais flexível, Flávio Rocha mais conservador, Amoedo mais firme, Alckmin mais capitalista, aventada possibilidade de Lula candidato, apoio de Lula descartado por Marina e Ciro, aliança entre Marina e Barbosa em namoro, Temer na corda bamba, Marina de vez contra os conservadores, Joaquim Barbosa de vez na esquerda.

O formato final ainda é imprevisível, esperamos por cenas dos próximos capítulos.

Em política, tudo pode mudar em questão de minutos.

Até a próxima!

Anúncios