Por que algumas músicas ficam e outras se vão? Por que quando nossos olhos brilham juntos com o de outra pessoa, dependendo da harmonia, nos vem a mente muitas vezes as mesmas músicas? Por que em nossas lástimas, no profundo de nossas tristezas, determinadas músicas parecem ter sido feitas especificamente para nós? Por que mesmo as músicas sem letra, podem de repente tocar nossas almas? Por que determinadas trilhas sonoras cabem com perfeição para determinadas obras cinematográficas? Por que atribuímos talento a determinados poetas e compositores, enquanto outros não recebem um único segundo de nossa atenção?

Todas estas questões estão previamente respondidas no método filosófico.

O método filosófico em Sócrates e Platão, tratava-se de examinar-se, questionar-se, aprofundar-se em suas próprias memórias com toda sinceridade do mundo, na busca por respostas para determinadas questões, consultando a própria experiência do interlocutor e assim examinando a realidade.

Quando Renato Russo compunha, não se tratava de outra coisa. Suas letras embora adornadas culturalmente, muito falaram com a alma de muita gente, através da conversa que o líder do Legião Urbana tinha com sua própria alma, esforçando-se ao limite para descrever seus sentimentos através das palavras. É porque Renato Russo tinha uma alma e nós também temos uma que criamos tamanha identidade. É porque estamos sentindo o que ele sentiu. É porque ele sentiu o que estamos sentindo. E precisamente porque descreveu através das palavras o que sentia naquele exato momento. Só assim seu espírito fluiu naturalmente por sua voz, atravessou gerações e penetrou em nossos corações, permeando nossas almas, e estabelecendo esta conexão profunda que nos faz dizer: esta música foi feita para mim.

Não apenas Renato Russo, como muitos outros nomes que não se fazem necessários citar, pois a intenção aqui não é criar uma lista de grandes, mas especificar porque motivo são tão profícuos, enquanto outros não conseguem fecundar nada além de reproduzir técnicas de rimas na poesia e técnicas sonoras de composição com seus instrumentos, limitando-se a superfície da habilidade musical.

Música é sinceridade e sinceridade é a trilha da filosofia.

Se não houver comunicação de alma para alma, não é filosofia e muito menos música.

O fenômeno musical só acontece de verdade, quando o autor é capaz de colocar para fora suas emoções e combiná-las com as técnicas da poesia e da música, ditando o ritmo na rima primeiro, e em seguida a harmonia, a melodia e o ritmo, nas pautas musicais.

Esta é a razão pela qual alguns eternizam-se adentrando à categoria de clássicos, enquanto outros vão parar até na Billboard, para serem esquecidos em seguida como insetos que no máximo incomodam com zumbidos no ouvido.

A resposta para todas as perguntas iniciais é esta: a qualidade da música é a aplicação da técnica filosófica.

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