No estágio final da meditação de Sidarta Gautama ocorreu o combate entre ele e o demônio Mara. Alguns estudiosos atribuem a figura poética de Mara à cobiça e de onde vejo estão certos, uma vez que tal embate aconteceu aparentemente na mente de Gautama e após vencê-lo, Sidarta alcançou a iluminação e despertou com um insight.

Os ataques de Mara consistiram em três investidas. A primeira tratou-se de enviar suas filhas para persuadi-lo a desistir de sua busca, numa série de acusações sobre ele ter abandonado sua família, se afastado dos deveres e estar ignorando os prazeres mundanos, e exigiu um profundo exame de consciência, sobre o qual Gautama concluiu que agiu corretamente ao seguir sua vocação: Sidarta as rejeitou.

Tal rejeição inflamou Mara de fúria e o fez partir para o segundo ataque, que invocou exércitos e estes dispararam inúmeras flechas inflamadas contra Gautama. Estas flechas foram transformadas por Sidarta em flores. Mara fez-se de derrotado, mas retornou na forma de arquiteto da personalidade, questionando se Gautama almejava tornar-se um deus. Este foi o terceiro ataque e Sidarta o venceu optando pela verdade ao invés da pretensão.

Após derrotar Mara, Sidarta Gautama passou a se chamar Buda, o desperto.

Combater o mal com o mal, é aumentar o mal. É provavelmente a grande tentação que todos sofremos ao sermos confrontados. Combatê-lo com o bem no entanto, é por outro lado uma tarefa para qual a esmagadora maioria de nós não está também preparado. Eu mesmo não estou.

Pelo menos, num ponto tenho que me alegrar: por estes últimos dias, acredito que finalmente entendi o que Buda quis dizer com “transformar flechas em flores“.

Seu inimigo surge com meia tonelada de pedras para te atacar e você simplesmente não liga. Se insistir você satiriza e faz todos rirem juntos.

Só isso. E funciona. Comigo até aqui tem funcionado.

A chave de entendimento disto é a compaixão: seu inimigo provavelmente não sabe o que faz, ele acredita que poderá persuadi-lo através da violência ou de alguma demonstração de poder. A compaixão quebra este castelo de cartas e elimina a ira.

Espero algum dia, entender e absorver todo o resto desta sabedoria que embora esteja ao nosso alcance, pouco nos debruçamos sobre ela e pouco atentamos, ignorando sua elevada importância.

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