Numa experiência um tanto lúdica, resolvi mergulhar no mundo de Paul Strathern, começando por “Pitágoras e Seu Teorema em 90 Minutos“.

Dado que tenho fascinação pública e notória pelos pensadores pré-socráticos, com destaque para Heródoto (pai da disciplina da história), Pitágoras (pai da prova real matemática), entre outros, optei por começar com este pensador que já é parte de minhas principais atenções há muito tempo.

São apenas 38 páginas que fizeram com que meu mergulho se tornasse um pulo de cabeça numa piscina rasa, cujo ganho real foi um galo na testa. E só.

Apesar do entretenimento causado por ler algo que participa de meus melhores interesses, ainda assim houveram momentos em que senti vontade de dar um pescotapa no autor. Ativismo constante de esquerda política, elevando o cientificismo com ar triunfalista e todo conhecimento que esta vertente marxista reconhece e condenando os demais, desprezando com as expressões injustas que lhe são também praxe. Encontrei o palhaço do Paul Strathern julgando a obra de Leibniz por exemplo, ele um escritorzinho barato proferidor de resuminhos comerciais para quem gosta de nadar na superfície, biografozinho de boteco, julgando um pensador do calibre de Leibniz, foi o momento no qual eu soube que estava diante de um ativista e que sua obra não deveria ser levada a sério. Se eu já pensava antes que esta leitura seria mero entretenimento, neste ponto percebi que não havia fatalmente outro caminho.

O que se aproveita deste pequeno resumo biográfico é o que se descarta do ativismo porco que tenta reescrever a história.

Não é brincadeira, este tipo de autor o mercado editorial financia a granel.

Escandalizado, escreve Paul Strathern sobre Pitágoras:

Ali estava uma grande cabeça que queria absorver tudo; mas o que motivava essa mente parece ter sido uma psicologia peculiarmente dividida. O florescente gênio matemático coexistia com um espírito religioso de messiânicas pretensões.

Esta é a mentalidade secular: o auge do cientificismo é fazer de conta que nada fora do método científico possa existir: estética, ética e metafísica, são simplesmente inadmissões policiadas com exclamações de indignação.

Descarregada minha fúria justa contra este animal, resta dizer que, o livro trata de possíveis aspectos da personalidade de Pitágoras, de sua trajetória desde um estudante dedicado que viajou pela Babilônia e outros lugares em busca do conhecimento, passando por sua atuação na política e a criação de uma religião dos números. Pouco se fala de sua matemática, de seu teorema, suas observações sobre música e astronomia, e de todo universo extramente interessante que desenvolveu o filósofo.

Apesar de curtas 38 páginas, o autor é prolixo (imaginem!).

Não é para menos que uma editora de vertente comunista como a Zahar tenha se proposto a publicar suas obras, é exatamente o perfil: exaltar tudo que concorda com a onda revolucionária e hostilizar tudo que lhe é avessa. E ainda chama isso de cultura. A desonestidade virou a cultura oficial, tanto lá fora, quanto aqui dentro. Que diferença há além da sutileza, entre um Hitler que queima livros e um marxista que reescreve a história com mentiras? Não há.

Para além da palhaçada, provavelmente o autor mais controverso da atualidade é o Paul Strathern.

As séries “90 minutos“, de fato não contém qualquer substância relevante para quem estuda e deseja substituir suas impressões sobre algum assunto pelo real conteúdo, mas por outro lado é um excelente passatempo, leve e muito próprio para aumentar a velocidade de leitura.

É uma espécie de HQ para quem enjoou do conteúdo Marvel x DC, não sente atração pela literatura contemporânea, mas quer algo para ler quando estiver cansado. Algo que não precise levar muito a sério.

É inútil pelo que se propõe (de fato, absorver qualquer autor em 90 minutos é impossível), mas útil pelo aspecto lúdico.

Eu só recomendo esta leitura para quem deseja ver de perto o que é o marxismo cultural.

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