A segunda temporada de Criminal Minds (Mentes Criminosas) começou a todo vapor, solucionando o problema que encerrou a primeira temporada e apostando em casos mais impressionantes, dada a profundidade e complexidade do ser humano.

O roteiro é intenso e conta mais um intervalo da trajetória da equipe de elite do FBI chamada UAC (Unidade de Análise Comportamental) que tem sede na Virgínia, em Quântico. E embora intenso e completo, não deixando faltar qualquer informação para um raciocínio perfeitamente linear e compreensão do expectador, é um pouco lento, mas não poderia ser de outra maneira, pois tudo é complexo em Criminal Minds, tanto a abordagem científica do trabalho da unidade, quanto as personalidades da equipe em si que se encaixam minuciosamente em cada um de seus lugares com suas funções (escrever uma obra com esta complexidade é um grande desafio para qualquer escritor) e harmonizar tudo nos cenários criminais que vão do mistério às melhores soluções possíveis, e as vezes inesperadas. A lentidão do roteiro, neste caso é uma necessidade técnica que não poderia ser de outra forma: não se trata de aventuras, mas de relatos reais e o sucesso é notório.

Esta temporada permaneceu valorizando a unidade da equipe, mas explorou mais as almas dos personagens e suas trajetórias particulares, com destaque para Dr Spencer Reid, Derek Morgan e Jason Gideon. Tal enfoque nos permite a todos entender além do crime, também as autoridades e tal valor é notório nestes 23 episódios.

Tecnicamente a edição é o que mais me chama atenção desde a primeira temporada, está seguramente entre os melhores trabalhos do cinema nesta área. A fotografia permaneceu com a mesma boa qualidade sem novidades e as trilhas sonoras seguiram o mesmo caminho.

O elenco é fantástico, com destaque para o profundo e paternal Mandy Patinkin (Jason Gideon), o inteligentíssimo e tímido Matthew Gray Gubler (Dr Spencer Reid), o determinado e corajoso Shemar Moore (Derek Morgan), e o sério e comprometido Thomas Gibson (Aaron Hotchner). Não há qualquer demérito para equipe inteira, nem para os coadjuvantes. Até os figurinistas são bons.

Algumas mudanças na equipe foram bastante dolorosas para os fãs, abandonar nossos personagens favoritos é sempre difícil, mas serviu para demonstrar também a ética da atividade que supera nossos sentimentos e emoções em busca do melhor resultado possível: para combatermos o mal, não podemos nós mesmos nos tornar o mal.

A equipe do quântico superou dificuldades, conheceu novas culturas, solucionou o impossível, descobriu a verdade por trás de décadas de esquecimento, lidou com dor, sofrimento e malícia, demonstrou a seriedade do trabalho científico forense, exibiu o fundo da alma dos criminosos e dos inocentes e teve que sempre fazer escolhas difíceis visando o bem maior.

A direção conseguiu novamente entregar uma obra digna de atenção, que explora o trabalho real de uma das equipes do FBI e que inclusive levanta questões morais como aplicação da ciência no combate ao crime e suas possibilidades, que propicia uma alternativa muito viável à tortura como prática dos impérios da antiguidade e à investigação lógico-dedutiva presente na criação dos processos penais na idade média pela inquisição.

Tanto pela via do entretenimento, quanto pelo conhecimento dos casos reais, ambos com elevada qualidade, segue minha recomendação, esta temporada foi nota 10 e parto em breve para a próxima.

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