O seriado The Walking Dead é uma adaptação lançada pela AMC em 2010, do HQ homônimo de Robert Kirkman lançado em 2003 pela Image Comics.

O fenômeno zumbi começou oficialmente com uma adaptação dos vampiros feita por Richard Matheson em 1954 no livro “I’m Legend” (no Brasil: “Eu sou a lenda” ou “A última esperança sobre a Terra“). Matheson se inspirou na Guerra Fria, nas possibilidades do uso de armas biológicas e sobretudo nos Gulag’s soviéticos. Os “zumbis” de Matheson, eram os escravos da URSS. A obra dele rendeu 4 filmes: The Last Man on Earth (Mortos que Matam – 1964)The Omega Man (A Última Esperança da Terra – 1971)I Am Omega (A Batalha dos Mortos – 2007) e I Am Legend (Eu Sou a Lenda – 2007). Posteriormente George Romero pegou a ideia e passou a explorá-la em filmes baratos de apocalipse zumbi que exploravam hipóteses filosófico políticas e que duraram mais algumas décadas.

HQ The Walking Dead edição 1Passado este episódio os mortos vivos voltaram aos cinemas despidos de temática política.

Kirkman foi praticamente um gênio em The Walking Dead pois diferente dos seus antecessores não focou sua atenção nos zumbis e suas causas, mas nos sobreviventes e suas relações, assim, as possibilidades de sua obra são infinitas. Isto fica claro no desenrolar, é tudo extremamente experimental, semi-abstrato e de uma complexidade razoável. Robert explora a psicologia dos personagens, todos com alma e uma dimensão histórica que lhes coloca muito acima de meros estereótipos.

O roteiro é veloz e muito intenso, tanto no aspecto emocional quanto no suspense. É inclusive melhor que muito longa metragem.

Se The Walking Dead não te fizer pensar na brevidade da vida, nenhuma outra manifestação artística provavelmente poderá fazê-lo.

Some-se a isto os constantes violinos de Bear McCreary, que sob medida fizeram a trilha sonora deste caminho de lágrimas traumático, trágico e constante.

Rick Grimes é um assistente de xerife que após ser baleado numa operação policial entra em coma. Quando acorda, aproximadamente um mês depois, o mundo mudou completamente, os mortos estão perambulando pelas ruas com fome dos vivos. Eu no lugar dele acreditaria que ou estou num pesadelo interminável, ou morri e estou no inferno. Por sinal, não sou o único que pensaria desta forma, Rick custa a entender o que está acontecendo, recebe ajuda de desconhecidos e sai em busca de sua esposa e filho, que ele acredita que ainda possam estar vivos.

A narrativa fotográfica é tecnicamente impecável e a paleta de cores varia de acordo com a intensidade do momento, não deixando espaço para uma emoção geral, mas episódica e dinâmica.

A galeria de fotos abaixo demonstra o talento deste episódio.

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A edição não é algo surpreendente ou inovador durante os episódios, mas é de extrema competência e as aberturas são inesquecíveis, combinando um compilado de fotografias vintage com transição lenta e violenta.

Outro trabalho extremamente digno e superior é o do figurino e maquiagem, que inclusive foi premiado com o Emmy Award no ano seguinte.

Focando-se exclusivamente no piloto, o enredo mostra cedo para que veio, com destaque para Andrew Lincoln (Rick Grimes) que parece ter nascido para o papel. Eu sinceramente não imagino outro ator na pele do policial. O temperamento equilibrado mesmo das mais pesadas provações do homem responsável e forte, recriam a imagem do líder com naturalidade. Num apocalipse zumbi, eu seria certamente um de seus seguidores. Para além de Grimes, todos os personagens são igualmente reais e complexos. Grimes não é o Superman, é um de nós, fazendo o melhor que pode para sobreviver e ampliando a noção de dever com sacrifício. É um virtuoso paternal.

O seriado foi extremamente bem recebido pela crítica especializada nos EUA e pelo público, rapidamente (com justiça) atingiu altíssimos índices de audiência e foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Série Dramática.

É a quinta vez que assisto tudo de novo nos últimos 4 anos, e este seriado não somente merece uma crítica respeitosa, como participa de meu estudo do fenômeno cultural zumbi, que iniciei há algum tempo.

De repente o mundo acabou. O que de fato tem valor?

Este é seguramente um dos melhores episódios piloto já produzidos (senão o melhor) do gênero, uma nota 10,0 é justa.

Trailer – The Walking Dead – Episódio piloto

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