Continuando a saga por ler tudo quanto tenha escrito Paul Strathern, li ontem “Schopenhauer em 90 Minutos“, publicado também pela Editora Zahar.

Trata-se de uma curta biografia do filósofo Arthur Schopenhauer, que não toca em suas ideias, mas que narra sua trajetória e procura descrever sua personalidade.

O autor examina o impacto que a situação sócio-política e cultural de sua juventude causou sobre o filósofo. O efeito das guerras e miséria, que na época culminaram numa confusão de expressões artísticas simultâneas, tanto favoráveis quanto contrárias às determinadas figuras que disputavam o poder. Além da crise econômica que se desenvolvia pela situação bélica que atravessava a região.

Na vida pessoal, passagens marcantes como a frustração de sua bela mãe que não pôde desenvolver-se artisticamente e que mais tarde tornar-se-ia um notável talento literário, o suicídio de seu pai cujos motivos não foram esclarecidos, o convívio com outra família na infância e a avó que enlouqueceu. Uma infância marcada por um educação rígida de idiomas, uma adolescência conturbada, uma fase adulta de disputas morais com a mãe, problemas com a justiça, a frustração profissional e por fim uma velhice que contou com reconhecimento tardio.

Enquanto filósofo, Strathern expõe a admiração profunda de Schopenhauer por Kant e o desprezo intenso por Hegel, sua passagem pela boemia no início da fase adulta que contrariava seus princípios filosóficos, o fracasso durante a vida toda na competição com o rival alemão (Hegel) e o sucesso muito tardio de sua obra.

Segundo o autor transmite, é possível avaliar Schopenhauer, psicologicamente, como ressentido, tímido, egoísta, covarde e sorrateiramente vingativo.

O ponto negativo deste livro é que o autor toma certas liberdades como emitir juízos de valor pessoais acerca de correntes filosóficas que não domina, julgando umas melhores que as outras, absolvendo determinadas linhas de pensamento e condenando outras. A saber: a avaliação de Strathern já vem com perguntas e respostas prontas, enaltecendo revolucionários e rebaixando conservadores. Neste ponto, novamente anti-ético.

Separadas estas avaliações pessoais de Paul Strathern, a obra é no final das contas boa para conhecer um pouco mais de Schopenhauer, uma leitura leve, fácil e rápida, configurando um excelente entretenimento cultural.

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