É muito provável que o romantismo tenha sido um péssimo advento literário quando moldador da consciência num cenário antropocêntrico.

Se no cenário cultural teocêntrico a missão do homem é buscar a salvação, quando no oposto, após dissolvida toda cosmovisão cuja hierarquia tem como pilar central Deus, o indivíduo vê-se sozinho, no escuro, tateando o desconhecido existencial, e passa a buscar qualquer referencial capaz de devolver-lhe (ou doar-lhe) significado à vida, além da cruel perspectiva de uma consciência perdida no tempo e localizada no espaço: o ser como mera imanência do não saber.

O antropocentrismo posiciona o homem num neo-presocratismo.

Haja visto quantos sofistas por excelência tem surgido no Brasil, e isto sem contar os inúmeros mentores menores, neuro/psico/qualquer-coisa que possuem sua própria linha de raciocínio, articulando experiências imaginárias, suposições, com suas percepções já adquiridas e para tudo oferecendo velhas novidades.

Toda dor do ser humano contemporâneo é ausência de Deus.

Nesta ausência entram as preocupações próprias do antropocentrismo, e uma delas é a incansável e insaciável “busca pelo amor“, que já é apresentada como opção única para a “busca pela realização profissional“.

De um lado os defensores do “amor“, de outro os paladinos da “carreira profissional“, e ambos como portadores de um saber relevantíssimo: a causa final da vida.

Amputado de Deus o homem voltou à estaca zero, e ao invés do mundo de prazeres ilimitado que lhe foi prometido, digno de um Dionísio, agora busca a razão para viver em dilemas já resolvidos por Homero na Ilíada: é Atena oferecendo poder, Hera a riqueza e Afrodite o amor.

A diferença é que na simbologia Grega o dilema era mais inteligente: se o nosso dilema é “amor ou dinheiro“, o dilema grego era “amor, poder ou dinheiro“, ou seja, os gregos eram mais inteligentes que nós, e portanto, após tanto “evoluirmos“, nos tornamos incapazes de discernir “dinheiro” de “poder“.

E aí vai a pergunta: quem disse que é uma coisa ou outra?!

Os gregos, que não conheceram Jesus, entenderam na empreitada da Guerra de Troia que o amor sem a riqueza converte-se em humilhação e desfaz-se, que a riqueza sem o poder transforma-se em guerras intermináveis cujo custo a esvazia completamente, e que portanto, o poder é coisa anterior à riqueza e ao amor (isto é que Homero oferece, não eu).

A Ilíada é uma jornada existencial que revela no mínimo a angústia de um autor face à ausência de direção, o niilismo politeísta dos gregos.

O problema é que, após respondida a questão do dilema grego, prosseguiu aquela civilização sem reposta, pois, descobrir a hierarquia: poder -> riqueza -> amor, não respondeu a questão existencial, mas apenas qual estrutura seria mais adequada para o sucesso.

Do esgotamento da capacidade literária com Homero e Hesíodo, surgiram os filósofos pré-socráticos, descontentes com as propostas oferecidas na altura, passaram a examinar a existência de outros eixos de percepção, mais elaborados: um achou que fosse a água, outro o ar, outro o fogo, outro achou que fosse o conjunto destes elementos, e até houve quem achasse ser os números. Ainda assim ninguém encontrou qualquer resposta existencial, que justificasse a vida e respondesse à angústia do homem.

Contudo, em meio a esta grande enxurrada filosófica, começaram a surgir aqueles que, percebendo oportunidade, aproveitavam-se para ganhar dinheiro com discursos: oratória e filosofia. Ensinavam de sua própria linha de pensamento, eram remunerados e muito bem para tal fim: os sofistas.

O tempo dos sofistas foi relativamente curto e tampouco conseguiram responder às questões.

Deste cenário surgiu a figura de Sócrates tentando provar que não era sábio em uma jornada que acabou por desmascarar os sofistas e algumas outras figuras que concorriam ao cargo de sábios, e que ainda ganhavam para isto.

Com Sócrates nem todas as questões levantadas eram respondidas, seu método era mais voltado para o questionamento racional do que para a descoberta de respostas.

Então, a dor da humanidade, naquele povo foi aumentada.

Foi com Platão que pela primeira vez alguém admitiu que poderia não saber, mas que seria possível rastrear retroativamente a existência em busca das respostas mesmas. Platão soltou sua “teoria das ideias” e assim ofereceu uma perspectiva razoável (e pela segunda vez alguém fazia isto, pois a primeira havia sido Pitágoras).

Houve nisto então uma tentativa e provavelmente a mais bem elaborada até hoje por um homem, para estancar o sangramento espiritual da humanidade. Mas não foi suficiente.

Apenas alguns séculos depois, em outra parte do mundo, surgiu um Jesus Cristo, pronunciando: Eu sou!

Isto é coisa excelente! Se Ele é, então sua palavra basta para que todos encontrem um caminho e o siga, ou seja, uma razão pela qual viver! Um sentido para vida! Estava feito.

Jesus curou a maior dor que a humanidade já teve: a dúvida de por que motivo estou vivo? Por que acordo? Por que estou aqui sendo capaz de pensar?

Jesus respondeu: você está aqui para decidir seu destino! Está vivo para fazer escolhas e com elas dizer, em seus atos, se irá para o céu, ou para o inferno!

A vida agora tinha sentido.

Haviam ainda sofrimentos menores, mas este que era o maior de todos não mais.

O que acontece quando o homem se afasta de Jesus Cristo e do caminho da salvação? Sofrimento. Encontra o homem uma série de prazeres que só podem existir num mundo caótico: está de volta ao niilismo, mais uma vez refazendo a Ilíada e novamente a mercê de sofistas.

Toda vez que eu vejo alguém dizendo que “encontrar o amor” ou “ser realizado na profissão” é o sentido da vida, já sei que esta pessoa, por definição, não conhece Deus.

Já reparou quantos homens e mulheres terminam suas vidas sem viver um grande amor jamais, e ainda assim estiveram por aqui de passagem?! Existiram e existem. Insistem em existir.

A cura de todos os males emocionais, é esta: entender que a coisa principal na vida é a salvação; se tendo o amor de alguém especial ou não, pouco importa, mas importa que salve-se no dia do Senhor.

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